
O eco soou
Inconstante alicerce
desmorona num piscar de olhos
num sopro quente
tiram o véu da ilusão
O eco soou
e o medo petrificou-se, amedrontado de si
não escuta as ondas de palavras molhar
não deixa soar o grito silencioso ritmado
fecha as portas e os braços com as chaves do incognoscível
O eco soou
prende-se em fantasias da ansiedade
rumo à dor navegante
antes mesmo de alcançar o vento
antes mesmo de tocar o abstrato
O eco soou
no imaginário de cores andantes
em sensações fervilhantes
pra amarrar-se, sem amar-se
sem vida
o eco soou
para além do dizível
dentro do cerno do conflito
dentro da dolorosa repetição
E a repetição reviveu
E o ego não pôde dar voz
a culpabilidade íntegra da escolha
novamente, enganado pelo inconsciente
negligenciou o tempo de ver
e sólido já estava, mas derreteu-se em vão
pra tentar enxegar o belo
mas a distância míope não permitiu
e o eco soou
e a repetição surgiu
dando mais cheiro e cor ao cerne do conflito
apontando à impotência da oscilação da existência
entre escolhas mal vividas
e o eco tornou-se ego
Mas o ego adormecido sonhou
E o ego voou
traçou linhas tênues
retirou o começo e o fim
e viu o infinito
E o ego voou
deu cor ao sofrimento
deu sabor ao vazio
alimentou a fome
viu através das nuvens
E o ego voou
Não matou a oscilação, a inconstância
Mas sentiu na alma a vida por inteiro
e teve a certeza que o grão da esperança
faz resnascer qualquer beleza no canto do futuro
E o ego voou
Não temeu o mal e o esvaziamento dos caminhos
Encheu-se de encantamento e espalhou letras poderosas nas mentes insanas
E e eco soou
Mas o ego voou
E transformou!
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