sábado, 8 de setembro de 2007

O eco e o ego


O eco soou

Inconstante alicerce

desmorona num piscar de olhos

num sopro quente

tiram o véu da ilusão


O eco soou

e o medo petrificou-se, amedrontado de si

não escuta as ondas de palavras molhar

não deixa soar o grito silencioso ritmado

fecha as portas e os braços com as chaves do incognoscível


O eco soou

prende-se em fantasias da ansiedade

rumo à dor navegante

antes mesmo de alcançar o vento

antes mesmo de tocar o abstrato


O eco soou

no imaginário de cores andantes

em sensações fervilhantes

pra amarrar-se, sem amar-se

sem vida

o eco soou

para além do dizível

dentro do cerno do conflito

dentro da dolorosa repetição


E a repetição reviveu

E o ego não pôde dar voz

a culpabilidade íntegra da escolha

novamente, enganado pelo inconsciente

negligenciou o tempo de ver

e sólido já estava, mas derreteu-se em vão

pra tentar enxegar o belo

mas a distância míope não permitiu


e o eco soou

e a repetição surgiu

dando mais cheiro e cor ao cerne do conflito

apontando à impotência da oscilação da existência

entre escolhas mal vividas


e o eco tornou-se ego


Mas o ego adormecido sonhou


E o ego voou

traçou linhas tênues

retirou o começo e o fim

e viu o infinito


E o ego voou

deu cor ao sofrimento

deu sabor ao vazio

alimentou a fome

viu através das nuvens


E o ego voou


Não matou a oscilação, a inconstância

Mas sentiu na alma a vida por inteiro

e teve a certeza que o grão da esperança

faz resnascer qualquer beleza no canto do futuro


E o ego voou

Não temeu o mal e o esvaziamento dos caminhos

Encheu-se de encantamento e espalhou letras poderosas nas mentes insanas


E e eco soou

Mas o ego voou

E transformou!


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