sexta-feira, 27 de maio de 2011

“Um dia me disseram que as nuvens não eram feitas de algodão” [E.H.]

Um dia me disseram que para participar de uma religião eu deveria realizar cultos externos.
Um dia me disseram que para ser Cristã eu deveria segregar as pessoas diferentes de mim.
Um dia me disseram que religião não se questiona.
Um dia me disseram que se eu fosse fervorosa Deus me daria tudo.
Um dia vi pessoas chorando e os religiosos passando reto.
Um dia vi os religiosos preocupados com seus cargos dentro da instituição, e só visitavam amigos doentes politicamente influentes.
Um dia vi o Ego religioso pisar naqueles que descobriram que não tinham nada a lhes oferecer dentro da instituição.
Um dia eu vi o poder autoritário dos religiosos para retirar doações daqueles que não os obedeciam, sem ao menos escutar uma história por inteiro, ou quem sabe as lágrimas.
E, então, senti
Que as nuvens viraram chuvas...
Que o culto interior alivia
Que Cristo nunca segregou a ninguém
E que fé pode se aliar a ciência
Que Deus não vai me dar tudo, porque precisar de tudo é egoísmo e orgulho.
Que não é ter uma religião que faz alguém oferecer o ombro
Que a hipocrisia humana não tem haver com idéias de se ligar a Deus.
E que muitos homens escondem-se dentro uma máscara com nome de religião, mas sem coração.
Que doar não pode ser esperando algo em troca.
Então, senti mais
Senti que a ortodoxia da fé era apenas humana
E sentindo, soube, que aquilo que diziam ser a salvação, na verdade, deveria ser como aquele que estende sua mão sem distinção.
Que aquilo que diziam salvar, na verdade, não poderia ser preso dentro de uma construção.
Aquilo então, que diziam salvar, deveria amparar sem perguntar nome ou religião.
Que o tal do ser salva deveria ser mais do que uma opção religiosa.
Deveria ser um homem caminhando, que ao encontrar alguém que sofrera um assalto violento, simplesmente o põe em cuidado imediato. E, mesmo, quando aquele acordara, não lhe fez perguntas indiscretas. Apenas cuidou. Cuidar que foi negado pelas mentes que passaram diante da mesma situação. Mentes, disseram-me, que eram de grandes religiosos sagrados, coisa que o “Bom samaritano” não era e soube cuidar da maneira do coração.



3 comentários:

  1. lembrei d um filme, na verdade das pessoas da igreja representando o deus delas, e não Deus... é simples pq nao é o foco do filme, mas é bem visível: Stigmata
    no meu caso é uma visão q reforça minha crença de q religião é, no modo prático, um manual de controle social, q em tese dve ser seguido, mas é desviado à corrupção humana... mas q os preceitos da religião em si, praticamente a caridade, é atitude, é humano... independe do medo d punição...
    são dois opostos humanos... a corrupção e a caridade...
    o estado d caridade, o estado d doação ao próximo é o caminho, único caminho, d alcançar a maior proximidade divina...
    é uma palavra carregada de significados, caridade...

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  2. O texto expressa a mais dura das realidades atuais, mesmo que seja inserido em épocas distintas dessa. E ele representa, de alguma forma, a vivência de cada um de nós. PvA

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  3. O homem tem se distanciado de si buscando suas respostas no concreto, no observavel e pelo julgavel; se esquecido que a imagem e semelhança do inefável está velada á sete chaves.
    Desvelar a essência humana talvez seja mais q trilhar o caminho da moralidade e da institucionalidade.

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