quinta-feira, 5 de julho de 2007

Mistura


Mistura das cores vivas e mortas
faz ambíguo o elo entre razão e emoção

incomodando os muros entre o doce e o amargo,
percepções imprevisíveis se repetem num paradoxo doentio e tardio

impulsionando dores latentes
apenas por pensamentos fantasiosos

gira-se em torno do mundo ou o mundo gira em torno de pensamentos?

a agressão surge de instante a instante
a inibição se afeiçoa daquilo que é intacto
o grito não exprime pra não enlouquecer ouvidos sem cabeças

distâncias percorridas em palavras
soltam-se, moldurando um quebra-cabeça
cujas peças estão se construindo incessantemente

e das duras couraças só se arranca tolices,
fingem ser onipotentes e senhores de si
numa ânsia perdida de coerência

malucas letras sem sentido
não conseguem se encaixar

Numa vista ao horizonte se perde
sem nem ao menos ter se encontrado uma vez

Mas a resignificação dolorosa
é como uma chama que corta
arrancando pedaços de si
para se refazer...

da incoerência à amplitude de ser
do desconexo ao entendimento de mundo.

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