perucas imitando o real
Manequim também tem calçado,
boca, olhos, mãos, pés,
silhueta perfeita, magérrimo
ajudam a fixar os olhos da sua cópia,
que passa distraída do outro lado do vidro,
compenetrando-se nas vestes que poderiam
encaixar na própria silhueta
não tão perfeita, magra,
mas de pés que querem milhares de calçados,
de bocas que querem cores infinitas de batons,
de olhos que querem comprar tudo o que vê,
e o fetiche se transveste no corpo
Sugados em sua ânsia de aparecer,
vestem-se como imitações da vida,
como bonecos ocos
lindamente vestidos,
imitam o oco que se expõe na vitrine
em uma alienação abafada,
de mentes que não se comovem
ao olhar crianças que não tem bonecos para brincar,
que não tem roupas para expor na vitrine,
e que seus cabelos não estão penteados, lisos ou sedosos como das perucas
Vende-se aparência, compra-se aparência
O preço para moldurar um corpo
É dividido em parcelas intermináveis,
O preço de uma peça vale o suor do trabalho de um mês
Promoções, descontos, atraem pessoas em formigueiros
Todas as atenções voltadas para o consumo
Endividam-se para se tornar peça de vitrine
Angustiam-se por não se parecerem com os bonecos
Individualismo exacerbado
O indivíduo perdeu-se em si
Esquecendo-se do mundo real
Brinca de comprar
E faz parecer que tudo é vitrine para olhar, cobiçar, invejar
A vida transcorre, e os formigueiros repetem-se
Com as formigas ocas,
Com os manequins sem coração, petrificados
Não indagamos os verdadeiros valores da vida.
A cegueira do narcismo não deixa ver
Que o boneco é que imita a vida
E não a vida que tem que imitar o manequim.
Que profundo Greee!! adorei
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